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<channel><title><![CDATA[LAH | PPGAS | Museu Nacional | UFRJ - Blog LAH]]></title><link><![CDATA[https://lahppgas.museunacional.ufrj.br/blog-lah]]></link><description><![CDATA[Blog LAH]]></description><pubDate>Tue, 14 Apr 2026 15:24:37 -0300</pubDate><generator>Weebly</generator><item><title><![CDATA[Juliane Oliveira: Notas de campo sobre a herança Gangá-Longobá em Matanzas, Cuba (2023-2024)]]></title><link><![CDATA[https://lahppgas.museunacional.ufrj.br/blog-lah/juliane-oliveira-notas-de-campo-sobre-a-heranca-ganga-longoba-em-matanzas-cuba-2023-2024]]></link><comments><![CDATA[https://lahppgas.museunacional.ufrj.br/blog-lah/juliane-oliveira-notas-de-campo-sobre-a-heranca-ganga-longoba-em-matanzas-cuba-2023-2024#comments]]></comments><pubDate>Thu, 30 May 2024 21:42:43 GMT</pubDate><category><![CDATA[Uncategorized]]></category><guid isPermaLink="false">https://lahppgas.museunacional.ufrj.br/blog-lah/juliane-oliveira-notas-de-campo-sobre-a-heranca-ganga-longoba-em-matanzas-cuba-2023-2024</guid><description><![CDATA[ (function(jQuery) {function init() { window.wSlideshow && window.wSlideshow.render({elementID:"860961002350993947",nav:"none",navLocation:"bottom",captionLocation:"bottom",transition:"fade",autoplay:"1",speed:"5",aspectRatio:"auto",showControls:"true",randomStart:"false",images:[{"url":"2\/3\/5\/8\/23586382\/duque7-paraweb.jpg","width":800,"height":533,"fullHeight":733,"fullWidth":1100},{"url":"2\/3\/5\/8\/23586382\/duque8-paraweb.jpg","width":800,"height":533,"fullHeight":733,"fullWidth":1100} [...] ]]></description><content:encoded><![CDATA[<div><div style="height:20px;overflow:hidden"></div> <div id='860961002350993947-slideshow'></div> <div style="height:20px;overflow:hidden"></div></div>  <div class="paragraph">Iniciei o meu trabalho de campo em novembro de 2023, no munic&iacute;pio de Perico, interior da prov&iacute;ncia de Matanzas, em Cuba. L&aacute;, fiz o primeiro contato com a heran&ccedil;a Gang&aacute;-Longob&aacute; no &ldquo;Retiro la Selva&rdquo;, um&nbsp;<em>quintal-ateli&ecirc;</em>&nbsp;(composto de arte e plantio) assim nomeado por seu criador Alfredo Duquesne Mora (&ldquo;El Duque&rdquo;). Duque &eacute; o escultor conhecido como o &ldquo;&uacute;ltimo artista&nbsp;<a>Gang&aacute;-Longob&aacute;</a>&nbsp;vivo&rdquo; e o maior artista de Matanzas, que est&aacute; entre os maiores de Cuba (ele foi aluno do primeiro homem negro a acessar a universidade de Artes, ap&oacute;s a revolu&ccedil;&atilde;o, e conta isso com orgulho). O nome &ldquo;Gang&aacute;-Longob&aacute;&rdquo; tem designado o grupo familiar de &ldquo;afrodescendentes&rdquo; ao qual Duque pertence.<br />O grupo foi declarado pelo governo cubano como &ldquo;portador de cultura imaterial&rdquo;, cujas ra&iacute;zes remontam a presen&ccedil;a de seus ancestrais em Serra Leoa, &Aacute;frica&nbsp;Ocidental. Dois document&aacute;rios foram produzidos sobre ele. Um deles, da d&eacute;cada de 1980, explorou as cerim&ocirc;nias religiosas dedicadas a divindade Yebb&eacute; (senhor das enfermidades, sincretizado com San L&aacute;zaro). Para o outro, a cineasta australiana Emma Christopher (2014) organizou uma viagem que levou Duque e alguns membros da fam&iacute;lia para um (re)encontro com seus prov&aacute;veis conterr&acirc;neos em Serra Leoa. O nome escolhido para o filme foi &ldquo;They are We&rdquo;, porque essa era a frase que algumas pessoas da comunidade local repetiam ao verem a fam&iacute;lia de Duque bailar e cantar.&nbsp;&nbsp;&nbsp;<br />Segundo a antrop&oacute;loga colombiana-italiana Alessandra Bassos Ortiz (2005), &ldquo;gang&aacute;&rdquo; seria um termo recorrente que emergiu durante o per&iacute;odo escravista das plantations para identificar grupos de pessoas trazidas de &Aacute;frica para o trabalho for&ccedil;ado nos engenhos cubanos. E o &ldquo;Longob&aacute;&rdquo; seria referente ao nome de um rio que atravessava algumas aldeias em Serra Leoa. Perguntei para Duque o que era Gang&aacute;-Longob&aacute; e ele me respondeu assim: &ldquo;&eacute; fam&iacute;lia, &eacute; sangue do meu sangue e &eacute; um modo de viver deixado pelas minhas ancestrais&rdquo; (ele geralmente se refere no g&ecirc;nero feminino porque costuma creditar tudo o que aprendeu de &ldquo;sua cultura&rdquo; &agrave;s mulheres da fam&iacute;lia, desde a &ldquo;Vieja&rdquo;, uma ancestral cultuada como morta, at&eacute; a sua av&oacute;, sua m&atilde;e e suas tias).&nbsp;<br />Duque costuma definir esses modos de viver de forma variada. Ele inclui a sua rela&ccedil;&atilde;o com esp&iacute;ritos e mortos ancestrais, a rela&ccedil;&atilde;o com a comida ou com o momento de comer; a sua sabedoria sobre as medicinas naturais e ao fato dele sentir as &ldquo;for&ccedil;as vitais da natureza&rdquo; (ele diz que quando move as pedras no quintal, quando planta ou quando toca em qualquer &aacute;rvore, ele sente a energia de seus ancestrais porque isso estaria no sangue dele). Inclusive, muitas pessoas v&atilde;o at&eacute; o seu &ldquo;Retiro la Selva&rdquo; em busca de medicina natural - quanto mais falta nas farm&aacute;cias, mais as pessoas o procuram. Mas ele afirma veementemente n&atilde;o ser religioso e se considera um poeta que carrega no sangue essa heran&ccedil;a. Uma autopercep&ccedil;&atilde;o que escapa a certa an&aacute;lise de Ortiz (2005).<br />No livro &ldquo;Los gang&aacute;s en Cuba&rdquo;, a antrop&oacute;loga desenvolve duas teses principais: a primeira, argumentando que o &uacute;nico aspecto sobrevivente da heran&ccedil;a Gang&aacute;-Longob&aacute; em Cuba seria a religi&atilde;o, que estaria sob amea&ccedil;a de desaparecimento; a segunda, defendendo que a perda dos elementos (tanto &ldquo;culturais&rdquo; quanto &ldquo;religiosos&rdquo;) do grupo, seria resultado da inexist&ecirc;ncia de um &ldquo;sistema mitol&oacute;gico&rdquo; para fornecer uma explica&ccedil;&atilde;o de mundo aos seus praticantes. Segundo a autora, as perguntas sem respostas levariam a uma perda de interesse. Por consequ&ecirc;ncia, os praticantes buscariam e se apegariam as explica&ccedil;&otilde;es fornecidas por outros &ldquo;sistemas religiosos&rdquo;, como aquelas do If&aacute; Cubano ou da Santeria, por exemplo.&nbsp;&nbsp;<br />Do meu ponto de vista (bastante limitado e parcial, diga-se), faz sentido imaginar que a falta de um modelo explicativo de mundo possa afetar o interesse das pessoas. Entretanto, tenho dificuldades de aceitar a tese de que o &uacute;nico elemento sobrevivente da heran&ccedil;a Gang&aacute;-Longob&aacute; seja aquilo enquadrado como religi&atilde;o. Al&eacute;m da minha pr&oacute;pria desconfian&ccedil;a com esse tipo de enclausuramento de aspectos da vida dentro de categorias muito fechadas, a experiencia de Duque tamb&eacute;m me parece apontar o contr&aacute;rio. Ele mesmo, quando discut&iacute;amos sobre o referido livro, confessou n&atilde;o estar de acordo com certas quest&otilde;es apresentadas nele. Uma delas referindo-se, justamente, ao modo como a heran&ccedil;a de suas ancestrais apareceria de forma reducionista.&nbsp;<br />Ainda que Duque tamb&eacute;m manifeste preocupa&ccedil;&otilde;es quanto a &ldquo;sobreviv&ecirc;ncia das pr&aacute;ticas longob&aacute;s&rdquo; consideradas religiosas, ele n&atilde;o se considera religioso. As refer&ecirc;ncias aos saberes herdados de suas ancestrais, embora resguarde rela&ccedil;&otilde;es com mais-que-humanos e extra-humanos, n&atilde;o aparecem descritas como parte de um &ldquo;sistema religioso&rdquo; em suas falas. Ele me disse isso diretamente na primeira vez que conversamos. Na ocasi&atilde;o, ele fez uma afirma&ccedil;&atilde;o de que n&atilde;o era religioso. Eu reagi perguntando: &ldquo;u&eacute;, voc&ecirc; n&atilde;o &eacute; religioso? Ent&atilde;o o que &eacute; Gang&aacute;-Longob&aacute;?&rdquo;. Foi a&iacute; que ele me respondeu: &ldquo;&eacute; minha fam&iacute;lia, &eacute; sangue do meu sangue e &eacute; um modo de viver deixado pelas minhas ancestrais&rdquo; (conforme mencionei anteriormente).&nbsp;<br />&nbsp;<br />A heran&ccedil;a Gang&aacute;-Longob&aacute; transborda e resiste. No breve conv&iacute;vio com Duque, pude perceber como ela permeia sua subjetividade, seus afetos, suas pr&aacute;ticas art&iacute;sticas, o seu comer, sua compreens&atilde;o de espa&ccedil;o, sua forma de comunica&ccedil;&atilde;o com as for&ccedil;as vitais presentes nas madeiras, nas pedras, plantas, &aacute;rvores etc. Me parece limitado, portanto, resumir os seus movimentos sob categorias anal&iacute;ticas fechadas: por&eacute;m, ainda cultivo mais d&uacute;vidas do que respostas a esse respeito. Por ora, penso que a maneira como esp&iacute;ritos, mortos e deidades mediam suas rela&ccedil;&otilde;es cotidianas desenham um sutil modo de&nbsp;<strong>*</strong>&ldquo;viver ancestralmente&rdquo;, que pulsa entre (re)inven&ccedil;&otilde;es &lsquo;culturais&rsquo; locais e mem&oacute;rias transatl&acirc;nticas nutridas no imagin&aacute;rio sobre a rela&ccedil;&atilde;o com Serra Leoa.&nbsp;<br />&nbsp;<br /><strong>Refer&ecirc;ncia Bibliogr&aacute;fica</strong><br />[<strong>*</strong>Parafraseando] Johnson, C. &ldquo;The Dead Don&rsquo;t Come Back Like the Migrant Comes Back&rdquo;: Many Returns in the Garifuna D&uuml;g&uuml;. In:&nbsp;<a href="https://www.degruyter.com/document/doi/10.1515/9781478002130/html">Passages and Afterworlds</a>.&nbsp;<a href="https://www.degruyter.com/search?query=*&amp;publisherFacet=Duke+University+Press">Duke University Press</a>, p. 35-37,&nbsp;2018.<br />Ortiz, A. B. Los gang&aacute;s en Cuba.&nbsp;Fundaci&oacute;n Fernando Ortiz, 2005.<br /><br /></div>]]></content:encoded></item><item><title><![CDATA[Aline Maia: “Fazer viver” os mortos - a luta das mães de vítimas de violência letal]]></title><link><![CDATA[https://lahppgas.museunacional.ufrj.br/blog-lah/aline-maia-fazer-viver-os-mortos-a-luta-das-maes-de-vitimas-de-violencia-letal]]></link><comments><![CDATA[https://lahppgas.museunacional.ufrj.br/blog-lah/aline-maia-fazer-viver-os-mortos-a-luta-das-maes-de-vitimas-de-violencia-letal#comments]]></comments><pubDate>Tue, 21 May 2024 21:31:24 GMT</pubDate><category><![CDATA[Uncategorized]]></category><guid isPermaLink="false">https://lahppgas.museunacional.ufrj.br/blog-lah/aline-maia-fazer-viver-os-mortos-a-luta-das-maes-de-vitimas-de-violencia-letal</guid><description><![CDATA[       &#8203;Ao longo do trabalho de campo foi comum ouvir frases como essas:&nbsp;&ldquo;enquanto eu viver, meu filho viver&aacute; em mim, porque ele est&aacute; dentro de mim&rdquo;. O entendimento que os filhos permanecem vivos, mesmo ap&oacute;s uma morte violenta, n&atilde;o &eacute; sentimento exclusivo de uma s&oacute; m&atilde;e que perdeu seu filho pela viol&ecirc;ncia letal, mas &eacute; express&atilde;o presente em todas com as quais tive contato durante minhas investidas etnogr&aac [...] ]]></description><content:encoded><![CDATA[<div><div class="wsite-image wsite-image-border-none " style="padding-top:10px;padding-bottom:10px;margin-left:0;margin-right:0;text-align:center"> <a> <img src="https://lahppgas.museunacional.ufrj.br/uploads/2/3/5/8/23586382/chapad-o-caf-dasfortes_orig.jpg" alt="Picture" style="width:auto;max-width:100%" /> </a> <div style="display:block;font-size:90%"></div> </div></div>  <div class="paragraph"><font size="3">&#8203;Ao longo do trabalho de campo foi comum ouvir frases como essas:&nbsp;<em>&ldquo;enquanto eu viver, meu filho viver&aacute; em mim, porque ele est&aacute; dentro de mim&rdquo;</em>. O entendimento que os filhos permanecem vivos, mesmo ap&oacute;s uma morte violenta, n&atilde;o &eacute; sentimento exclusivo de uma s&oacute; m&atilde;e que perdeu seu filho pela viol&ecirc;ncia letal, mas &eacute; express&atilde;o presente em todas com as quais tive contato durante minhas investidas etnogr&aacute;ficas pelo Rio de Janeiro. De diferentes formas, mas em alto e bom som, elas com frequ&ecirc;ncia diziam e demostravam que a morte n&atilde;o se resumia no apagamento total de seus filhos. Ao contr&aacute;rio, enfatizavam:&nbsp;<em>&ldquo;ele ainda est&aacute; aqui, s&oacute; que agora mora em mim&rdquo;.&nbsp;</em><br />&nbsp;<br />Minha pesquisa tem como interesse de investiga&ccedil;&atilde;o o ato de &ldquo;dar vida&rdquo; e &ldquo;fazer viver&rdquo;.&nbsp;&nbsp;Foi acompanhando as vidas ordin&aacute;rias de familiares e m&atilde;es de v&iacute;timas da viol&ecirc;ncia letal em favelas do Rio de Janeiro que obtive acesso as suas maneiras de &ldquo;dar vida&rdquo;: um exerc&iacute;cio realizado majoritariamente por mulheres negras interessadas em &ldquo;fazer viver&rdquo; coisas, pessoas e presen&ccedil;as &ndash; seja em vida ou ap&oacute;s a morte de um ente querido.<br />&nbsp;<br />Discuto, ainda, o modo como estas m&atilde;es ativam presen&ccedil;as e manipulam de&nbsp;<em>coisas</em>&nbsp;para a feitura do &ldquo;fazer viver&rdquo;. Com base no material etnogr&aacute;fico, destaco os modos dos humanos e n&atilde;o humanos existirem, se relacionarem entre si e habitarem mundos. Busco, assim, apresentar as composi&ccedil;&otilde;es inventadas pelas m&atilde;es e familiares, no p&oacute;s-morte, e seus diferentes estilos de criatividade &ndash; seja quando estes representam uma resposta ativa contra o fazer estatal ou quando buscam estabelecer um di&aacute;logo direto com o morto.</font><br /></div>]]></content:encoded></item><item><title><![CDATA[Maria Marcelina Azevedo: Conceição de Salinas]]></title><link><![CDATA[https://lahppgas.museunacional.ufrj.br/blog-lah/maria-marcelina-azevedo-conceicao-das-salinas]]></link><comments><![CDATA[https://lahppgas.museunacional.ufrj.br/blog-lah/maria-marcelina-azevedo-conceicao-das-salinas#comments]]></comments><pubDate>Tue, 26 Mar 2024 21:31:27 GMT</pubDate><category><![CDATA[Uncategorized]]></category><guid isPermaLink="false">https://lahppgas.museunacional.ufrj.br/blog-lah/maria-marcelina-azevedo-conceicao-das-salinas</guid><description><![CDATA[ (function(jQuery) {function init() { window.wSlideshow && window.wSlideshow.render({elementID:"841427021742098321",nav:"none",navLocation:"bottom",captionLocation:"bottom",transition:"fade",autoplay:"1",speed:"5",aspectRatio:"auto",showControls:"true",randomStart:"false",images:[{"url":"2/3/5/8/23586382/image.jpeg","width":"800","height":"530"},{"url":"2/3/5/8/23586382/mariamarcelinaconcei-o01.jpg","width":"800","height":"530"},{"url":"2/3/5/8/23586382/mariamarcelinaconcei-o03.jpg","width":"800 [...] ]]></description><content:encoded><![CDATA[<div><div style="height:20px;overflow:hidden"></div> <div id='841427021742098321-slideshow'></div> <div style="height:20px;overflow:hidden"></div></div>  <div class="paragraph"><span>&Eacute; no extenso costeiro de Concei&ccedil;&atilde;o de Salinas, um dos maiores da regi&atilde;o do Rec&ocirc;ncavo Baiano, que pescadores, marisqueiras, gar&ccedil;as, siris e demais seres fazem seus caminhos. Do passeio em pedra portuguesa da orla, tanto do Gravat&aacute; quanto mais adiante na Rua da Praia, &eacute; poss&iacute;vel avistar as cores, bem como os criativos nomes, gravados nas embarca&ccedil;&otilde;es a motor atracadas. Vistas da Rua da Praia, as embarca&ccedil;&otilde;es encontram-se na areia enlama&ccedil;ada, algumas mais pr&oacute;ximas do parapeito que cont&eacute;m a quebra do mar, outras j&aacute; mais distantes, adiante na Ba&iacute;a de Todos os Santos. A reconhecida express&atilde;o pesqueira de Concei&ccedil;&atilde;o, propiciada por uma localidade que potencializa a produ&ccedil;&atilde;o mar&iacute;tima da regi&atilde;o, pode ser notada pela quantidade e pelo colorido das embarca&ccedil;&otilde;es que comp&otilde;em o horizonte das &aacute;guas salgadas da ba&iacute;a.&nbsp;</span><br /><span>A mar&eacute; seca abre caminho em dire&ccedil;&atilde;o aos manguezais avistados ao fundo das fotografias. J&aacute; com os p&eacute;s afundados na lama, </span><span style="color:rgb(0, 0, 0)">pegadas de diferentes seres se misturam aos mariscos,</span><em style="color:rgb(0, 0, 0)">&nbsp;aos guiguis e aos siris</em><span>, que podem morder os p&eacute;s dos que caminham desatentos. Gar&ccedil;as podem ser vistas em torno &ndash; e por vezes em cima &ndash; de algumas embarca&ccedil;&otilde;es, possivelmente atra&iacute;das pelo cheiro dos pescados rec&eacute;m apanhados. &Eacute; tamb&eacute;m no interior das embarca&ccedil;&otilde;es que est&atilde;o guardadas lonas, munzu&aacute;s e redes, dentre outros instrumentos utilizados para a pesca artesanal, esta que garante o alimento e o sustento daqueles que do mangue e da mar&eacute; vivem e se beneficiam. Dentre os trabalhos realizados, a mariscagem &eacute; exercida. Ap&oacute;s mariscar, &eacute; feito o beneficiamento do marisco. Da limpeza, o pr&eacute;-cozimento &eacute; realizado, este, por sua vez, antecedendo a catagem para a posterior embalagem e venda.&nbsp;</span>&#8203;</div>]]></content:encoded></item><item><title><![CDATA[João Alipio Cunha na Roda de Conversa no Colégio Estadual Rio de Areia: “A presença negra na história do Paraguai: a guerra Guasú e as lutas de resistência”]]></title><link><![CDATA[https://lahppgas.museunacional.ufrj.br/blog-lah/joao-alipio-cunha-na-roda-de-conversa-no-colegio-estadual-rio-de-areia-a-presenca-negra-na-historia-do-paraguai-a-guerra-guasu-e-as-lutas-de-resistencia]]></link><comments><![CDATA[https://lahppgas.museunacional.ufrj.br/blog-lah/joao-alipio-cunha-na-roda-de-conversa-no-colegio-estadual-rio-de-areia-a-presenca-negra-na-historia-do-paraguai-a-guerra-guasu-e-as-lutas-de-resistencia#comments]]></comments><pubDate>Fri, 22 Mar 2024 18:00:22 GMT</pubDate><category><![CDATA[Uncategorized]]></category><guid isPermaLink="false">https://lahppgas.museunacional.ufrj.br/blog-lah/joao-alipio-cunha-na-roda-de-conversa-no-colegio-estadual-rio-de-areia-a-presenca-negra-na-historia-do-paraguai-a-guerra-guasu-e-as-lutas-de-resistencia</guid><description><![CDATA[ (function(jQuery) {function init() { window.wSlideshow && window.wSlideshow.render({elementID:"669151109199756095",nav:"thumbnails",navLocation:"bottom",captionLocation:"bottom",transition:"fade",autoplay:"0",speed:"5",aspectRatio:"auto",showControls:"true",randomStart:"false",images:[{"url":"2\/3\/5\/8\/23586382\/img-20240319-wa0011.jpg","width":800,"height":600,"fullHeight":800,"fullWidth":1067},{"url":"2\/3\/5\/8\/23586382\/img-20240319-wa0014.jpg","width":600,"height":800,"fullHeight":800," [...] ]]></description><content:encoded><![CDATA[<div><div style="height:20px;overflow:hidden"></div> <div id='669151109199756095-slideshow'></div> <div style="height:20px;overflow:hidden"></div></div>  <div class="paragraph"><span style="color:rgb(0, 0, 0)">No dia 11 de mar&ccedil;o Jo&atilde;o Alipio de Oliveira Cunha realizou no Col&eacute;gio Estadual Rio de Areia uma roda de conversa intitulada &ldquo;A presen&ccedil;a negra na hist&oacute;ria do Paraguai: a guerra Guas&uacute; e as lutas de resist&ecirc;ncia&rdquo;, com as turmas 3001 e 3002 e em parceria com a professora Geraldyne Souza.&nbsp;</span><span style="color:rgb(0, 0, 0)">Os dados hist&oacute;ricos e etnogr&aacute;ficos apresentados na roda de conversa fazem parte da pesquisa de doutorado &ldquo;Composi&ccedil;&otilde;es e modos de ser Kamba: associa&ccedil;&atilde;o, m&aacute;scaras e lutas por reconocimiento&rdquo; realizada por Jo&atilde;o Alipio de Oliveira Cunha, no &acirc;mbito do projeto financiado pela FAPERJ &ldquo;Entre a Plantation e o Plantationceno teorias etnogr&aacute;ficas sobre os ref&uacute;gios e as rotas de fuga, (FAPERJ CNE 2022)&rdquo; - <a href="https://lahppgas.museunacional.ufrj.br/entre-a-plantation-e-o-plantationceno---teorias-etnograacuteficas-sobre-os-refuacutegios-e-as-rotas-de-fuga.html">saiba mais</a></span></div>]]></content:encoded></item><item><title><![CDATA[Two Ways Of Being Water: from the point of view of submerged worlds]]></title><link><![CDATA[https://lahppgas.museunacional.ufrj.br/blog-lah/two-ways-of-being-water-from-the-point-of-view-of-submerged-worlds]]></link><comments><![CDATA[https://lahppgas.museunacional.ufrj.br/blog-lah/two-ways-of-being-water-from-the-point-of-view-of-submerged-worlds#comments]]></comments><pubDate>Fri, 22 Mar 2024 15:03:16 GMT</pubDate><category><![CDATA[Uncategorized]]></category><guid isPermaLink="false">https://lahppgas.museunacional.ufrj.br/blog-lah/two-ways-of-being-water-from-the-point-of-view-of-submerged-worlds</guid><description><![CDATA[       Cunha, Ol&iacute;via Gomes da. 2022 "Two Ways Of Being Water: from the point of view of submerged worlds". The Perfect Storm. Diffrakt: Centre For Theoretical Periphery, 23/2/22. Link [...] ]]></description><content:encoded><![CDATA[<div><div class="wsite-image wsite-image-border-none " style="padding-top:10px;padding-bottom:10px;margin-left:0;margin-right:0;text-align:center"> <a> <img src="https://lahppgas.museunacional.ufrj.br/uploads/2/3/5/8/23586382/screenshot-2024-03-22-at-12-04-37_orig.png" alt="Picture" style="width:auto;max-width:100%" /> </a> <div style="display:block;font-size:90%"></div> </div></div>  <div class="paragraph"><span>Cunha, Ol&iacute;via Gomes da. 2022 "Two Ways Of Being Water: from the point of view of submerged worlds". The Perfect Storm. Diffrakt: Centre For Theoretical Periphery, 23/2/22. <a href="https://aperfectstorm.net/two-ways-of-being-water/"><span style="color:#79171b">Link</span></a></span></div>]]></content:encoded></item><item><title><![CDATA[Kali'na and Sanpula at Carifesta 2013 - audiovisual]]></title><link><![CDATA[https://lahppgas.museunacional.ufrj.br/blog-lah/kalina-and-sanpula-at-carifesta-2013]]></link><comments><![CDATA[https://lahppgas.museunacional.ufrj.br/blog-lah/kalina-and-sanpula-at-carifesta-2013#comments]]></comments><pubDate>Fri, 22 Mar 2024 14:30:04 GMT</pubDate><category><![CDATA[Uncategorized]]></category><guid isPermaLink="false">https://lahppgas.museunacional.ufrj.br/blog-lah/kalina-and-sanpula-at-carifesta-2013</guid><description><![CDATA[    Os Kali'na das aldeias da costa leste do Suriname levam os Sampula, tambores sagrados, para o Festival Internacional Carifesta, realizado em junho de 2013 em Moengo, Suriname. O v&iacute;deo foi realizado por Olivia Cunha com edi&ccedil;&atilde;o de Helena Monahan. Para assistir, acesse a p&aacute;gina do LAH no YouTube. Link. [...] ]]></description><content:encoded><![CDATA[<span class='imgPusher' style='float:left;height:0px'></span><span style='display: table;width:auto;position:relative;float:left;max-width:100%;;clear:left;margin-top:0px;*margin-top:0px'><a><img src="https://lahppgas.museunacional.ufrj.br/uploads/2/3/5/8/23586382/published/hqdefault.jpg?250" style="margin-top: 10px; margin-bottom: 10px; margin-left: 0px; margin-right: 10px; border-width:0; max-width:100%" alt="Picture" class="galleryImageBorder wsite-image" /></a><span style="display: table-caption; caption-side: bottom; font-size: 90%; margin-top: -10px; margin-bottom: 10px; text-align: center;" class="wsite-caption"></span></span> <div class="paragraph" style="display:block;"></div> <hr style="width:100%;clear:both;visibility:hidden;"></hr>  <div class="paragraph">Os Kali'na das aldeias da costa leste do Suriname levam os Sampula, tambores sagrados, para o Festival Internacional Carifesta, realizado em junho de 2013 em Moengo, Suriname. O v&iacute;deo foi realizado por Olivia Cunha com edi&ccedil;&atilde;o de Helena Monahan. Para assistir, acesse a p&aacute;gina do LAH no YouTube. <a href="https://www.youtube.com/watch?v=eaC8dda73u8" target="_blank">Link</a>.</div>]]></content:encoded></item><item><title><![CDATA[Gamelan, um documentário]]></title><link><![CDATA[https://lahppgas.museunacional.ufrj.br/blog-lah/gamelan-um-documentario]]></link><comments><![CDATA[https://lahppgas.museunacional.ufrj.br/blog-lah/gamelan-um-documentario#comments]]></comments><pubDate>Fri, 22 Mar 2024 14:18:52 GMT</pubDate><category><![CDATA[Uncategorized]]></category><guid isPermaLink="false">https://lahppgas.museunacional.ufrj.br/blog-lah/gamelan-um-documentario</guid><description><![CDATA[       Gamelan&nbsp;(Olivia Cunha &amp; Helena Monahan, 2023, 16:17 min). O document&aacute;rio feito com imagens captadas durante a pesquisa de campo de Olivia Cunha no Suriname em 2013 est&aacute; online nas plataformas&nbsp;Youtube&nbsp;e Vimeo.&nbsp;&#8203; [...] ]]></description><content:encoded><![CDATA[<div><div class="wsite-image wsite-image-border-none " style="padding-top:10px;padding-bottom:10px;margin-left:0px;margin-right:10px;text-align:left"> <a> <img src="https://lahppgas.museunacional.ufrj.br/uploads/2/3/5/8/23586382/hq720_orig.jpg" alt="Picture" style="width:auto;max-width:100%" /> </a> <div style="display:block;font-size:90%"></div> </div></div>  <div class="paragraph"><strong style="color:rgb(21, 30, 36)"><font size="3" color="#8d2424">Gamelan</font></strong><span style="color:rgb(21, 30, 36)">&nbsp;(Olivia Cunha &amp; Helena Monahan, 2023, 16:17 min). O document&aacute;rio feito com imagens captadas durante a pesquisa de campo de Olivia Cunha no Suriname em 2013 est&aacute; online nas plataformas&nbsp;</span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=XyGe3w3WWdY" target="_blank">Youtube</a><span style="color:rgb(21, 30, 36)">&nbsp;e Vimeo.&nbsp;</span>&#8203;</div>]]></content:encoded></item><item><title><![CDATA[Notas de Campo: encontrando o Presidente Lula (Rogério L. Viana, doutorando PPGAS/MN/UFRJ) - 18/03/2024]]></title><link><![CDATA[https://lahppgas.museunacional.ufrj.br/blog-lah/notas-de-campo-encontrando-o-presidente-lula-rogerio-l-viana-doutorando-ppgasmnufrj-18032024]]></link><comments><![CDATA[https://lahppgas.museunacional.ufrj.br/blog-lah/notas-de-campo-encontrando-o-presidente-lula-rogerio-l-viana-doutorando-ppgasmnufrj-18032024#comments]]></comments><pubDate>Tue, 19 Mar 2024 20:19:25 GMT</pubDate><category><![CDATA[Uncategorized]]></category><guid isPermaLink="false">https://lahppgas.museunacional.ufrj.br/blog-lah/notas-de-campo-encontrando-o-presidente-lula-rogerio-l-viana-doutorando-ppgasmnufrj-18032024</guid><description><![CDATA[ (function(jQuery) {function init() { window.wSlideshow && window.wSlideshow.render({elementID:"873992887271755304",nav:"none",navLocation:"bottom",captionLocation:"bottom",transition:"fade",autoplay:"1",speed:"5",aspectRatio:"auto",showControls:"true",randomStart:"false",images:[{"url":"2\/3\/5\/8\/23586382\/dsc-0667-2.jpg","width":530,"height":800,"fullHeight":800,"fullWidth":530},{"url":"2\/3\/5\/8\/23586382\/20240309-170002-3.jpg","width":600,"height":800,"fullHeight":800,"fullWidth":600},{" [...] ]]></description><content:encoded><![CDATA[<div><div style="height:20px;overflow:hidden"></div> <div id='873992887271755304-slideshow'></div> <div style="height:20px;overflow:hidden"></div></div>  <div class="paragraph">Nos dias 28 e 29 de fevereiro o presidente Luiz In&aacute;cio Lula da Silva esteve em Georgetown, capital da Guiana. O brasileiro foi o convidado especial da 46&ordf; C&uacute;pula de Chefes de Governo da Comunidade do Caribe, o Caricom, que possui sua sede na cidade. Eu havia chegado na Guiana h&aacute; tr&ecirc;s semanas, retomando o trabalho de campo para minha pesquisa de doutorado, iniciada em 2022, em torno das controv&eacute;rsias que envolvem a instala&ccedil;&atilde;o da ind&uacute;stria petrol&iacute;fera no pa&iacute;s nos &uacute;ltimos anos. Marcelo Mello, colega antrop&oacute;logo e professor, que tamb&eacute;m estava por aqui realizando pesquisa, prop&ocirc;s que fossemos tentar acompanhar a chegada de Lula na cidade. Como em campo tudo pode acontecer, pensei &ldquo;por que n&atilde;o?&rdquo;.&nbsp;<br />Sa&iacute; de casa e peguei um&nbsp;&nbsp;<em>minibus</em>&nbsp;&ndash; principal modalidade de transporte p&uacute;blico no pa&iacute;s &ndash; em dire&ccedil;&atilde;o a Georgetown. No caminho de ida, ao passar pela rotat&oacute;ria de Kitty, localizada no principal ponto de entrada de Georgetown para quem vem da costa leste da regi&atilde;o de Demerara e de Berbice, a chegada de Lula se anunciava. Rodeado por bandeiras da Guiana e do Brasil, um outdoor com as fotos de Irfaan Ali, presidente da Guiana, de um lado, e de Lula, do outro, dava as boas vindas ao presidente brasileiro.&nbsp;<br />J&aacute; me aproximando do destino, desci do minibus e caminhei em dire&ccedil;&atilde;o ao hotel. As vias p&uacute;blicas que davam no Marriott receberam bandeiras dos pa&iacute;ses membros e territ&oacute;rios associados do Caricom e o tr&acirc;nsito era controlado por policiais. Na entrada do hotel, vejo um outdoor similar ao visto na rotat&oacute;ria e passo posso detectores de metal que recepcionavam os h&oacute;spedes e visitantes. Os detectores estavam ali ao menos desde a semana anterior, quando o hotel sediou a Guyana Energy Conference &amp; Supply Chain Expo, evento que reuniu pol&iacute;ticos, empres&aacute;rios e funcion&aacute;rios de empresas do ramo de &Oacute;leo e G&aacute;s. J&aacute; no hall, rep&oacute;rteres aguardavam em uma &aacute;rea exclusiva para a imprensa. Al&eacute;m de ve&iacute;culos guianenses e de outras partes do Caribe, notei a presen&ccedil;a de jornalistas da GloboNews, CNN Brasil e R7. Seguran&ccedil;as, membros da equipe do governo brasileiro e funcion&aacute;rios da Embaixada Brasileira em Georgetown estavam espalhados em grande n&uacute;mero pelo local e conversavam entre si.<br />Marcelo j&aacute; havia chegado e estava sentado em uma &aacute;rea com sof&aacute;s. Ele me apresentou a um trio de empres&aacute;rios do Rio Grande do Norte que acabara de conhecer e que estava na Guiana para prospectar possibilidades de entrada no mercado local de &Oacute;leo e G&aacute;s. Os homens haviam chegado na noite anterior e comentavam impressionados sobre o n&uacute;mero de caminh&otilde;es que percorriam, j&aacute; por volta da meia-noite, a estrada que liga o aeroporto &agrave; capital guianense&nbsp;&nbsp;&ndash; movimenta&ccedil;&atilde;o que tamb&eacute;m impressiona muitos dos guianenses com quem interajo por aqui, que n&atilde;o raramente comentam sobre os estragos que os ve&iacute;culos, cuja maior parte opera em apoio a crescente ind&uacute;stria de constru&ccedil;&atilde;o civil, fazem no asfalto do pa&iacute;s.<br />Enquanto convers&aacute;vamos, chefes de Estado e dirigentes de pa&iacute;ses e territ&oacute;rios do Caricom chegavam ao hotel escoltados por policiais da pol&iacute;cia guianense. O modelo dos ve&iacute;culos pretos que os transportavam, Toyota Land Cruiser Prado, &eacute; conhecido entre os guianenses por ser o preferido da elite pol&iacute;tica local. Lembro que na semana anterior, durante a confer&ecirc;ncia do setor de &Oacute;leo e G&aacute;s, professores em greve que ocupavam uma rua pr&oacute;xima ao hotel gritavam e soavam suas cornetas e apitos com for&ccedil;a especial cada vez que um desses ve&iacute;culos passava. J&aacute; naquele dia, a chegada parecia tranquila e &agrave; medida que entravam no hotel, os chefes de Estado subiam para o segundo andar, onde as atividades da C&uacute;pula aconteciam.&nbsp;<br />Em dado momento, algu&eacute;m me chamou pelo meu nome. Surpreso, me virei e reconheci um antigo colega de gradua&ccedil;&atilde;o. Por um instante, imaginei que ele&nbsp;&nbsp;estivesse ali por conta do petr&oacute;leo, mas ele logo me contou que fazia parte de um pequeno grupo da ABIN que desembarcou na cidade alguns dias antes para avaliar o cen&aacute;rio local e garantir a seguran&ccedil;a da comitiva brasileira. Ele voltou ao trabalho e a movimenta&ccedil;&atilde;o que precedeu a chegada de Lula come&ccedil;ou. Fomos avisados que dever&iacute;amos sair da &aacute;rea dos sof&aacute;s, que foi liberada. O forte esquema de seguran&ccedil;a e o n&uacute;mero de funcion&aacute;rios do governo brasileiro dentro do hotel chamou a aten&ccedil;&atilde;o de Marcelo, que o contrastou com o clima mais tranquilo que vivenciou em 2010, quando esteve com o presidente na Guiana em um evento cultural oferecido na Embaixada do Brasil, durante sua pesquisa de campo de doutorado.&nbsp;<br />Assim que nos movemos para uma &aacute;rea no fundo do hall, uma cena not&aacute;vel se desenrolou: os chefes de Estado caribenhos desceram e se alinharam na entrada do hotel para aguardar a chegada de Lula. Do lado de fora, batedores (em n&uacute;mero ainda maior) abriram caminho para o Toyota Prado que transportava Lula e a primeira-dama, Janja. Eles desceram e foram recebidos por Irfaan Ali, e logo depois o presidente brasileiro passou a cumprimentar os outros mandat&aacute;rios. Dei uma risadinha quando vi que Mia Mottley, primeira-ministra de Barbados, foi cumprimentada com dois beijinhos ao estilo brasileiro. Uma foto oficial do grupo foi tirada e o presidente seguiu em nossa dire&ccedil;&atilde;o, a caminho do elevador. Ao passar por n&oacute;s, Marcelo o saudou com um &ldquo;Presidente, universidade p&uacute;blica presente!&rdquo;. Nervoso, consegui dizer apenas &ldquo;Boa tarde, presidente, UFRJ presente! Como vai o senhor?&rdquo; e rapidamente apertar sua m&atilde;o, antes dele entrar no elevador.<br />&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;O objetivo daquela ida ao Marriott, que para mim era ver o presidente do Brasil em terras guianenses, no final foi apenas parte de tudo que pude observar por l&aacute;. O modo como o cerimonial foi organizado e conduzido deu ind&iacute;cios das posi&ccedil;&otilde;es hoje ocupadas pelos dois pa&iacute;ses, Guiana e Brasil. Al&eacute;m disso, pude escutar um pouco sobre as expectativas de empres&aacute;rios brasileiros no pa&iacute;s e, ap&oacute;s a subida do presidente para o seu quarto de hotel, trocar ideia sobre a Guiana com meu colega de gradua&ccedil;&atilde;o e seu colegas da ABIN, que mostraram ter feito uma extensa pesquisa sobre o cen&aacute;rio sociopol&iacute;tico do pa&iacute;s e, mais especificamente, de Georgetown. Para comemorar o bem sucedido dia de campo, Marcelo e eu fomos almo&ccedil;ar em um restaurante de comida I-tal (Rastafari) e fechamos com uma cerveja na &aacute;rea mais movimentada de Georgetown, a do mercado de Stabroek.&nbsp;<br />De noite, j&aacute; em casa, assisti o discurso de Lula na sess&atilde;o especial daquele dia. O presidente ressaltou as proximidades entre o Brasil e o Caribe&nbsp;&nbsp;&ndash; &ldquo;Bel&eacute;m, Boa Vista e Manaus est&atilde;o mais pr&oacute;ximas de capitais do Caribe do que de outras grandes cidades brasileiras&rdquo;&nbsp;&nbsp;&ndash;&nbsp;&nbsp;&nbsp;e ressaltou querer retomar com os pa&iacute;ses do Caricom os projetos de coopera&ccedil;&atilde;o sul-sul que marcaram os seus dois primeiros governos. O desejo, segundo Lula, &eacute; de &ldquo;literalmente, pavimentar nosso caminho para o Caribe&rdquo;, referindo-se em parte &agrave; estrada que liga Lethem, cidade da Guiana que faz fronteira com Roraima, a Georgetown. A pavimenta&ccedil;&atilde;o dessa estrada, promessa do governo guianense para seus cidad&atilde;os ao menos desde os anos 1980, &eacute; um dos muitos projetos de infraestrutura financiados com recursos oriundos da explora&ccedil;&atilde;o petrol&iacute;fera da costa da Guiana e atualmente &eacute; conduzido por uma empreiteira brasileira. Sobre isso, h&aacute; muito o que se pensar, mas isso &eacute; tema para outra nota.<br />&nbsp;<br />O discurso de Lula&nbsp;&nbsp;na 46&ordf; C&uacute;pula do Caricom pode ser visto aqui&nbsp;&nbsp;&nbsp;<a href="https://www.youtube.com/watch?v=gSvubHfKclw&amp;ab_channel=Poder360">https://www.youtube.com/watch?v=gSvubHfKclw&amp;ab_channel=Poder360</a>&nbsp;ou lido aqui&nbsp;<a href="https://www.gov.br/planalto/pt-br/acompanhe-o-planalto/discursos-e-pronunciamentos/2024/discurso-na-sessao-de-encerramento-da-46a-conferencia-da-comunidade-do-caribe">https://www.gov.br/planalto/pt-br/acompanhe-o-planalto/discursos-e-pronunciamentos/2024/discurso-na-sessao-de-encerramento-da-46a-conferencia-da-comunidade-do-caribe</a>.&nbsp;<br /></div>]]></content:encoded></item><item><title><![CDATA[O Papel da Pesquisa no Audiovisual: notas sobre a experiência do filme "Medida Provisória"(Aline Maia, doutoranda PPGAS/MN/UFRJ) - 25/05/2022]]></title><link><![CDATA[https://lahppgas.museunacional.ufrj.br/blog-lah/march-19th-2024]]></link><comments><![CDATA[https://lahppgas.museunacional.ufrj.br/blog-lah/march-19th-2024#comments]]></comments><pubDate>Tue, 19 Mar 2024 20:18:09 GMT</pubDate><category><![CDATA[Uncategorized]]></category><guid isPermaLink="false">https://lahppgas.museunacional.ufrj.br/blog-lah/march-19th-2024</guid><description><![CDATA[       O papel da pesquisa no audiovisual: notas sobre a experi&ecirc;ncia do filme &ldquo;Medida Provis&oacute;ria&rdquo; -&nbsp;Aline Maia Nascimento[1]&nbsp;N&atilde;o &eacute; novidade que a Antropologia e o Audiovisual s&atilde;o campos que se conectam e que h&aacute; anos vem estabelecendo di&aacute;logos intensos. &Eacute; poss&iacute;vel que voc&ecirc; conhe&ccedil;a um antrop&oacute;logo que se dedicou a produzir um filme ou, at&eacute; mesmo, ter ingressado na ind&uacute;stria cinemato [...] ]]></description><content:encoded><![CDATA[<div><div class="wsite-image wsite-image-border-none " style="padding-top:10px;padding-bottom:10px;margin-left:0;margin-right:0;text-align:center"> <a> <img src="https://lahppgas.museunacional.ufrj.br/uploads/2/3/5/8/23586382/img-8059_orig.jpg" alt="Picture" style="width:auto;max-width:100%" /> </a> <div style="display:block;font-size:90%"></div> </div></div>  <div class="paragraph">O papel da pesquisa no audiovisual: notas sobre a experi&ecirc;ncia do filme &ldquo;Medida Provis&oacute;ria&rdquo; -&nbsp;<em>Aline Maia Nascimento</em><a href="applewebdata://3CCC240D-883D-43C2-9307-41B10B597CF3#_ftn1">[1]</a><br />&nbsp;<br />N&atilde;o &eacute; novidade que a Antropologia e o Audiovisual s&atilde;o campos que se conectam e que h&aacute; anos vem estabelecendo di&aacute;logos intensos. &Eacute; poss&iacute;vel que voc&ecirc; conhe&ccedil;a um antrop&oacute;logo que se dedicou a produzir um filme ou, at&eacute; mesmo, ter ingressado na ind&uacute;stria cinematogr&aacute;fica como um trabalhador do ramo. O contr&aacute;rio tamb&eacute;m &eacute; prov&aacute;vel, um cineasta que se enveredou para Antropologia &ndash; alguns orgulhosos por desenvolver trabalho de campo a luz da teoria e do m&eacute;todo etnogr&aacute;fico. Eu integro o primeiro grupo, sou uma antrop&oacute;loga que desenvolve pesquisas para narrativas audiovisuais e que a cada convite para um trabalho a ser realizado no cinema ou na TV se pergunta:&nbsp;<em>&ldquo;o que a Antropologia pode oferecer para esse produto audiovisual?&rdquo;.&nbsp;</em>A resposta n&atilde;o &eacute; simples e geralmente s&oacute; &eacute; alcan&ccedil;ada ao longo do pr&oacute;prio trabalho de pesquisa. Ainda que alguns antrop&oacute;logos, diretores, roteiristas, produtores ou espectadores esperem que minha fun&ccedil;&atilde;o seja dar um &ldquo;tom realista&rdquo; a narrativa. &Eacute; preciso se distanciar do chav&atilde;o aristot&eacute;lico que afirma que &ldquo;a arte imita a vida&rdquo;. J&aacute; sabemos que tanto a Antropologia quanto o cinema s&atilde;o artefatos culturais. Ambos, inven&ccedil;&otilde;es humanas recentes cujos objetivos n&atilde;o podem ser reduzidos a &ldquo;traduzir&rdquo; ou &ldquo;espelhar&rdquo; a vida. Talvez, o primeiro passo para responder &agrave; quest&atilde;o seja assumir o interesse dos dois campos em construir e conectar mundos, estabelecendo rela&ccedil;&atilde;o entre as coisas e os sujeitos; entre o tempo, espa&ccedil;o e o individuo; explorando e captando leituras de universos particulares.<br />Em 2017, quando o L&aacute;zaro Ramos me convidou para realizar a pesquisa para o longa ficcional &ldquo;Medida Provis&oacute;ria&rdquo; ele parecia saber bem o que queria com o filme, em tom muito confiante dizia querer provocar di&aacute;logos em temas raciais ainda sens&iacute;veis (tudo com leveza!) e para isso buscava equilibrar drama com humor. Queria, sobretudo, que em meio ao caos dist&oacute;pico constru&iacute;do no arco dram&aacute;tico, o filme fosse capaz de transmitir amor e despertar o sentimento de orgulho do Brasil e das pessoas que o constitui.&nbsp;<br /><br />A intencionalidade &eacute; algo que est&aacute; sempre presente na linguagem f&iacute;lmica, pois se trata de um produto que carrega desde sua concep&ccedil;&atilde;o inten&ccedil;&otilde;es bem delimitadas. Meu trabalho, geralmente, come&ccedil;a assim que o roteirista j&aacute; sabe suas inten&ccedil;&otilde;es. A partir da&iacute;, come&ccedil;amos a desenhar como elas ser&atilde;o oferecidas ao p&uacute;blico que&nbsp;as degustar&aacute; conforme suas pr&oacute;prias inten&ccedil;&otilde;es.&nbsp;<br /><br />A pesquisa se inicia na etapa que chamamos de pr&eacute;-produ&ccedil;&atilde;o, ou seja, na g&ecirc;nese do projeto. &Eacute; comum que ela aconte&ccedil;a de forma simult&acirc;nea a escrita do roteiro. Como costumam dizer, a pesquisa pode ser usada para &ldquo;aperfei&ccedil;oar&rdquo; / &ldquo;melhorar&rdquo; o roteiro dando a ele mais possibilidades de desenvolvimento, apontando caminhos ainda n&atilde;o explorados pelos roteiristas. Por vezes, ao pesquisador, tamb&eacute;m, &eacute; atribu&iacute;da a fun&ccedil;&atilde;o de trazer ao roteiro um terceiro olhar, qui&ccedil;&aacute; mais distante, n&atilde;o t&atilde;o contaminado com as paix&otilde;es do autor.&nbsp;&nbsp;H&aacute;, ainda, uma outra fun&ccedil;&atilde;o da pesquisa &ndash; para mim a mais empolgante e desafiadora &ndash; a tarefa de proporcionar inspira&ccedil;&otilde;es, estimular a criatividade do roteirista. E por mais que exista&nbsp;um pensamento generalizado de que a criatividade &eacute; uma capacidade inata nas pessoas. Ou se tem ou n&atilde;o se tem.&nbsp;&nbsp;Sabemos que essa argumento n&atilde;o pode resistir a nenhuma comprova&ccedil;&atilde;o s&eacute;ria. A criatividade, na verdade, &eacute; uma habilidade que precisa ser exercitada com frequ&ecirc;ncia e a pesquisa &eacute; uma ferramenta para seu est&iacute;mulo.&nbsp;O roteirista quando tem acesso aos dados da pesquisa se coloca em contato com novas experi&ecirc;ncias e atreve-se a pensar de maneira diferente. Esta imers&atilde;o estimula sua compet&ecirc;ncia criativa.&nbsp;<br /><br />No caso do &ldquo;Medida Provis&oacute;ria&rdquo;, L&aacute;zaro enfrentava o desafio de transformar uma pe&ccedil;a teatral em um produto audiovisual. J&aacute; que o filme &eacute; uma adapta&ccedil;&atilde;o da pe&ccedil;a &ldquo;Nam&iacute;bia, N&atilde;o!&rdquo; de autoria do ator e dramaturgo Aldri Anuncia&ccedil;&atilde;o. Para essa empreitada L&aacute;zaro contou com o apoio de mais alguns roteiristas experientes El&iacute;sio Lopes Jr e Lusa Silvestre. Quando eu cheguei, Aldri, El&iacute;sio, Lusa e L&aacute;zaro ainda estavam escrevendo o roteiro, mas o material j&aacute; tinha passado por alguns tratamentos. Eles tentavam retirar a grande carga teatral do texto. Nos dizeres de Ramos:&nbsp;<em>&ldquo;aquela pe&ccedil;a se aproximava do teatro do absurdo&rdquo;</em>&nbsp;e sua transforma&ccedil;&atilde;o para o novo formato exigia naturalmente que outros contornos fossem ganhando espa&ccedil;o. Basta lembrar que a pe&ccedil;a foi escrita apenas para dois atores &ndash; no palco, Aldri e Fl&aacute;vio Bauraqui eram acompanhados por vozes que faziam outros personagens e ajudavam a contar a hist&oacute;ria.&nbsp;<br /><br />Na primeira vez que li o roteiro para o filme, o time j&aacute; havia feito algumas escolhas criativas acertadas, como a cria&ccedil;&atilde;o de personagens femininas fortes e complexas que ganharam centralidade na trama. Neste sentido, a pesquisa de personagens veio para endossar o caminho escolhido, apontando em outras hist&oacute;rias e viv&ecirc;ncias da vida real, mulheres como Capitu, Isabel, Sarah, Izildinha: pessoas comuns, vivendo situa&ccedil;&otilde;es incomuns e criando alternativas para lidar com problemas de ordem coletiva e, tamb&eacute;m, os seus mais &iacute;ntimos.&nbsp;&nbsp;<br />Contudo, as mudan&ccedil;as n&atilde;o pararam por a&iacute;. No que tange a pesquisa de conte&uacute;do, L&aacute;zaro me pediu que eu indicasse temas que pudessem inspirar os roteiristas, coloc&aacute;-los em contato com uma investiga&ccedil;&atilde;o cultural capaz de ampliar seus horizontes. A partir de uma leitura minuciosa do texto fui elegendo os temas, alguns j&aacute; se faziam presentes no roteiro (mesmo que de forma t&iacute;mida), outros se adentrassem poderiam modificar substancialmente os rumos da trama. Para citar alguns assuntos elencados, destaco: a hipersexualiza&ccedil;&atilde;o do corpo negro, segrega&ccedil;&atilde;o racial, antissemitismo, aliados brancos, brancos bem-intencionados, a volta a &Aacute;frica, povos imigrantes no Brasil, movimentos sociais com composi&ccedil;&atilde;o inter-racial, colorismo, pertencimento nacional, cabelo crespo e aceita&ccedil;&atilde;o, rela&ccedil;&otilde;es inter-raciais, repara&ccedil;&atilde;o racial, afrofuturismo, afropessimismo, branquitude, heterogeneidade dos movimentos negros e etc...&nbsp;<br />O material de pesquisa era grande e muito diverso, contendo resultados de entrevistas semi-estruturadas, grupos focais, revis&atilde;o bibliogr&aacute;fica dos temas, mapeamento de discuss&otilde;es travadas por internautas no Twitter e Facebook, memes que ganharam destaque nas redes sociais, hist&oacute;rias que ouvi em bares, nos transportes p&uacute;blicos... Contos, cenas de outros filmes, trechos de poesias e m&uacute;sicas.&nbsp;<br />Eu costumava enviar os materiais para L&aacute;zaro que os lia com afinco para posteriormente debatermos cada ponto.&nbsp;&nbsp;Em nossos encontros, ele se mostrava sempre muito curioso, disposto a ouvir e indagar. Me desfiava a voltar com novos materiais que desenvolvesse ainda mais a hist&oacute;ria. Se mostrava interessado em escutar o que eu achava dos rumos que a trama ia tomando. Por vezes, ele pr&oacute;prio trazia quest&otilde;es provocativas que me faziam pensar. Como da vez que me perguntou o que eu acharia, se a personagem Capitu (Ta&iacute;s Ara&uacute;jo) esbofeteasse Isabel (Adriana Esteves).&nbsp;&nbsp;<br />As escolhas do que entrava ou saia do texto e de como manejariam esse material de pesquisa nem eram tomadas ali sob minha presen&ccedil;a, mas sim na sala de roteiro. De toda forma, era &oacute;timo poder opinar e saber que meus &ldquo;pitacos&rdquo; tinham chances de ser &ldquo;sementes&rdquo; que poderiam germinar na mente dos criadores.&nbsp;<br />Aos poucos a profiss&atilde;o de pesquisadora no audiovisual vai te ensinando a lidar com mais maturidade com o que chamo de &ldquo;exerc&iacute;cio do desapego&rdquo; j&aacute; que nem tudo que voc&ecirc; apresenta ao roteirista ser&aacute; incorporado na trama e isso n&atilde;o tem rela&ccedil;&atilde;o com o material apresentado, mas com decis&otilde;es de outras ordens.&nbsp;<br />Certa vez, quando comentava sobre o processo de inclus&atilde;o e descarte de materiais de pesquisa com minha atual chefe, Manuela Dias &ndash; autora de sucessos como a novela &ldquo;Amor de M&atilde;e&rdquo; e s&eacute;ries como &ldquo;Justi&ccedil;a&rdquo; e &ldquo;Liga&ccedil;&otilde;es Perigosas&rdquo; &ndash; ela sabiamente me fez perceber o equ&iacute;voco que &eacute; pensar esse processo a luz do&nbsp;<em>input</em>&nbsp;e&nbsp;<em>output</em>.&nbsp;&nbsp;A autora me fez entender que a pesquisa sempre traz um questionamento, uma coisa que n&atilde;o tinha passado por sua cabe&ccedil;a e n&atilde;o importa se isso estar&aacute; expl&iacute;cito na hist&oacute;ria ou n&atilde;o&nbsp;<em>&ldquo;porque de alguma forma entrou em mim&rdquo;,</em>&nbsp;dizia. E certamente isso desencadeou outras ideias para trama ou desencadear&aacute; futuramente em outros trabalhos.&nbsp;<br />De modo diferente, &eacute; um pouco o acontece na exposi&ccedil;&atilde;o de um filme quando o espectador&nbsp;observa todos os acontecimentos narrados em uma posi&ccedil;&atilde;o privilegiada e j&aacute; manufaturados num jogo de revela&ccedil;&atilde;o e engano capaz de gerar um novo significado as experi&ecirc;ncias vividas por cada um. Quantas ideais presentes no &ldquo;Medida Provis&oacute;ria&rdquo; germinaram nos cora&ccedil;&otilde;es e mentes dos mais de 400 mil espectadores?&nbsp;&nbsp;A resposta vem quando amigos, cr&iacute;ticos, conhecidos e desconhecidos me confessam o que acharam do filme e como ele o atravessou. O mesmo acontece naquelas conversas aleat&oacute;rias quando algu&eacute;m solta a celebre frase que demonstra uma rela&ccedil;&atilde;o de identifica&ccedil;&atilde;o: &ldquo;<em>isso me lembra aquele filme.&rdquo;.</em><br />&Eacute; bem verdade que n&atilde;o s&oacute; de aceita&ccedil;&atilde;o e boas cr&iacute;ticas se faz um filme. &Eacute; natural que existam aqueles que n&atilde;o gostaram do enredo, da dire&ccedil;&atilde;o, de uma cena espec&iacute;fica ou at&eacute; mesmo da atua&ccedil;&atilde;o de um ator. Vale lembrar que o objetivo desta arte nunca foi se prender ao lugar de aceita&ccedil;&atilde;o absoluta, ao papel de gerar apenas conforto em quem a consome. Mas ser&aacute; que, ainda na pr&eacute;-produ&ccedil;&atilde;o, &eacute; poss&iacute;vel prev&ecirc; alguma rea&ccedil;&atilde;o do p&uacute;blico? Eu advogo que sim e digo isso n&atilde;o porque sou (ou pretendo ser) uma esp&eacute;cie de guru do audiovisual, mas porque minha forma&ccedil;&atilde;o enquanto antrop&oacute;loga me fornece pistas neste sentido.&nbsp;&nbsp;Afinal, ouvir, observar as pessoas, levar a s&eacute;rio o que elas nos dizem e entender os sentidos que atribuem as suas pr&oacute;prias a&ccedil;&otilde;es tem sido especialidade da Antropologia h&aacute; anos.&nbsp;&nbsp;<br /><br />Minha experi&ecirc;ncia profissional me leva a crer que um bom contador de hist&oacute;rias &eacute;, sobretudo, um bom ouvinte e certamente a pesquisa &eacute; um dos meios pelos quais escutamos o outro. L&aacute;zaro em seu livro intitulado &ldquo;Medida Provis&oacute;ria&rdquo; pontua:&nbsp;&ldquo;a pesquisa nos alimentou e informou, embasando nossas discuss&otilde;es e nos ajudando a fugir de ciladas narrativas, com alertas para o que a popula&ccedil;&atilde;o negra j&aacute; n&atilde;o queria mais ver no audiovisual como caracter&iacute;sticas suas&rdquo; (Ramos, 2022:15).&nbsp;Revisitando algumas produ&ccedil;&otilde;es audiovisuais que receberam cr&iacute;ticas negativas e, tamb&eacute;m, ouvindo o que as pessoas me diziam nas entrevistas, estava n&iacute;tido o que elas n&atilde;o queriam mais ver no audiovisual: &ldquo;os personagens negros apenas como servi&ccedil;al&rdquo;; &ldquo;negros se digladiando entre si por brigas que s&oacute; beneficiam os brancos&rdquo;; &ldquo;pretos pegando em armas como policiais ou traficantes&rdquo;; &ldquo;mulheres negras nos estere&oacute;tipos de &ldquo;barraqueiras&rdquo;, &ldquo;fofoqueiras&rdquo; ou &ldquo;farofeiras&rdquo;&rdquo;; &ldquo;homens negros sob o arqu&eacute;tipo de malandros&rdquo;; &ldquo;pessoas pretas em situa&ccedil;&atilde;o de hipersexualiza&ccedil;&atilde;o&rdquo;.&nbsp;&nbsp;<br /><br />Essa larga lista al&eacute;m de indicar o que n&atilde;o seria mais aceito, indica ainda o que j&aacute; n&atilde;o &eacute; mais novidade aos olhos do p&uacute;blico. O novo estaria, quem sabe, na contram&atilde;o disso tudo, nas brechas &ndash; entre uma coisa e outra &ndash; ou em um novo caminho que ainda est&aacute; por ser feito.&nbsp;<br />A princ&iacute;pio acreditava que a pesquisa para esse filme fosse direcionada exclusivamente para suporte do roteiro, como acontecia na maioria dos trabalhos que desenvolvi, onde o alcance do material estava restrito a pr&eacute;-produ&ccedil;&atilde;o. No entanto, para minha grata surpresa, L&aacute;zaro nos conta que esse material foi transversal a todas as etapas de realiza&ccedil;&atilde;o filme:&nbsp;&ldquo;esse dossi&ecirc; imenso, de mais de cem p&aacute;ginas, foi usado das formas mais variadas: para inspirar no modo de dirigir as cenas e mesmo na escolha de onde posicionar a c&acirc;mera, para trazer subjetividades para os personagens e as situa&ccedil;&otilde;es que eles viveriam, para os atores se envolverem mais com cada cena, para ajudar a criar di&aacute;logos&rdquo; (Ramos, 2022:14)&nbsp;<br />O m&eacute;todo audiovisual &eacute; &uacute;nico para cada realizador, o que consequentemente torna &uacute;nica a maneira com que ele se relacionar&aacute; com o pesquisador: suas exig&ecirc;ncias em termo de conte&uacute;do, prazo de entrega, modos de apresenta&ccedil;&atilde;o dos resultados e manejo dos dados. No caso do &ldquo;Medida Provis&oacute;ria&rdquo;, a pesquisa teve muito espa&ccedil;o e nos conduziu a muitas reflex&otilde;es. Ela n&atilde;o foi manuseada como um livro sagrado ou um guia com regras do que se deve fazer, mas caminhou lado ao lado com as inten&ccedil;&otilde;es, intui&ccedil;&otilde;es e paix&otilde;es dos realizadores do filme, se misturando as muitas vozes que contaram essa hist&oacute;ria.&nbsp;&nbsp;Em tempos t&atilde;o controversos, em que a arte e a ci&ecirc;ncia s&atilde;o brutalmente atacadas, um trabalho que metodologicamente se prop&otilde;e a manter junto esses dois pilares &eacute; tamb&eacute;m uma contribui&ccedil;&atilde;o interessada em contestar e resistir a absurdos. Afinal, como nos lembra Krenak, a melhor maneira de adiar o fim do mundo &eacute;&nbsp;&ldquo;sempre poder&nbsp;<em>contar</em>&nbsp;mais uma&nbsp;<em>hist&oacute;ria</em>.&rdquo;<br />&nbsp;<br />Refer&ecirc;ncias Bibliogr&aacute;ficas:<br />KRENAK, Ailton. Ideias para adiar o fim do mundo. 1 ed &ndash; S&atilde;o Paulo: Companhia das Letras, 2019.<br />RAMOS, L&aacute;zaro. Medida Provis&oacute;ria: Di&aacute;rio do diretor. 1.ed. &ndash; Rio de Janeiro: Cobog&oacute;, 2022.<br />&nbsp;<br /><a href="applewebdata://3CCC240D-883D-43C2-9307-41B10B597CF3#_ftnref1">[1]</a>&nbsp;Doutoranda em Antropologia pelo Museu Nacional/UFRJ. Integrante do Laborat&oacute;rio de Antropologia e Hist&oacute;ria (LAH/MN) e&nbsp;pesquisadora de conte&uacute;do na TV Globo.&nbsp;<br />&nbsp;<br /><br /></div>]]></content:encoded></item></channel></rss>